Você pode fazer um roteiro campeão, de carro de Roma
a Veneza, só de estradas, 1630 quilômetros, ao todo, passa-se por cinco
das vinte regiões da itália: Lácio, Úmbria, Toscana, Emilia-Romagna e Vêneto.
Essa viagem clássica, nesse país de 100.000 monumentos
históricos, é tão variada e repleta de atrações quanto fácil de fazer.
as estradas são bem seguras.
Para você saber, para alugar um automóvel na itália,
você precisa ter no mínimo 25 anos. Não é necessária a carteira de habilitação
internacional. A brasileira basta. Mas o cartão de crédito
internacional é exigido. Estacionar na cidade é um inferno. Além
disso, Roma foi feita para ser conhecida a pé.
Quem não está familiarizado, sofre para encontrar a saída para as estradas.
Cuidado! às segundas-feiras, boa parte do
comércio fecha na itália. até mesmo diversos postos de gasolina. só
os supermercados e quitandas e demais entrepostos de produtos
alimentícios são obrigados a manter as portas abertas. portanto, não
deixe para abastecer o automóvel numa segunda-feira.
Preste atenção nos limites de velocidade: são 50 km/h nas
áreas urbanas; 110 km/h nas rodovias principais; 90 km/h nas estradas
secundárias e 130 km/h nas highways. por lei federal, as estradas devem
ter sinalização indicando os trechos em que há radares para controlar
a velocidade.
Ao entrar nas auto-estradas, você apanha no
guichê o bilhete do pedágio. Só irá pagá-lo ao deixar a highway, de
modo que o preço corresponderá ao trecho percorrido.
É comum ver motoristas a mais de 180 km/h. Por
isso, evite a pista da esquerda. Por melhor que seja seu carro, sempre
haverá outro mais veloz pedindo passagem. As multas são caríssimas. Se você for
flagrado em alta velocidade, nem ouse pensar em subornar os carabinieri!
Se ficar em dúvida sobre que caminho tomar em uma
rotatória, circule por ela à vontade, quantas vezes for necessário.
não haverá problema. os motoristas italianos respeitam a prioridade de
quem está na rotatória.
Úmbria, uma das vinte regiões italianas, discreta,
despojada. Nem de longe exibe o explendor das Città da Toscana, a abonada
vizinha, pela esperteza de aderir na hora certa às navegações e ao comércio.
A úmbria não teve tal agilidade. Por isso, ainda é, sobretudo, agrícola.
No entanto, quem se aventura por suas estradas, se delicía pelas montanhas
dos apeninos e enveredando por cidadezinhas que, embora não pareçam, foram
vigorosos reinos independentes, antes de se virem encampadas pelos
papas.
Trafegar por aqui é um prazer, o número de visitantes
é menor, a região reserva relíquias incalculáveis. Só a Úmbria, a Toscana
e o Lácio conservaram a herança dos etruscos, invasores que botaram para
quebrar na área central da península, antes de os romanos aparecerem.
Ainda assim, a maioria dos monumentos úmbrios
remonta à idade média. pois prepare as pernas. será preciso subir
ladeiras íngremes. Não há alternativa.
Uma das mais espetaculares catedrais da itália está
em Orvieto, uma pequena cidade de 22.000 habitantes, Fra Angélico, o próprio,
em estado sólido, viveu nove anos no cárcere por se opor a Alexandre V,
papa que passou a infância na mendicândia e morreu envenenado. O pintor
encontrou ânimo para criar os primeiros parâmetros da estética renascentista.
Todi, a morada de 17.000 felizes habitantes, 33 quilômetros
adiante, aquela de localização mais impactante de toda a Úmbria, uma glória
e tanto.
Caso seja um dia bonito, arrume um jeito, a cidadezinha conserva vestígios
das muralhas etruscas, romanas e medievais. Sua tranqüilidade de pedra,
enaltecida por adormecidos palacetes góticos e ruelas de traçado quase
aleatório haverá de causar a impressão de uma idade média de cotidiano brando,
sereno.
Maior que Orvieto e Todi, a sedutora Spoleto atrai
mais visitantes, continuando a subir você verá as igrejas San Salvatore
e San Gregorio Maggiore, no ponto mais alto, suspirando pelo cansaço,
têm por recompensa um castelo. Desse belvedere singular você verá o
aqueduto de 230 metros legado pelos romanos.
Perugia, capital da Úmbria, pode servir como destino
seguinte. seria um pecado não visitar este centro etrusco da antigüidade,
guindado à prosperidade na idade média. Ao menos para sair flanando da
piazza d'italia pelo corso vanucci e desembocar na piazza iv novembre,
de cara para o palazzo dei priori, um dos mais lindos prédios públicos.
Em Assis, entretanto, que magnetiza 3 milhões de
fiéis ao ano. Aqui nasceu e foi enterrado, no século XI, um dos santos
mais populares, São Francisco.
Assis é exceção,pois mesmo sendo um centro de peregrinação, a cidade é muito
bonita, como raras cidades européias, ela conserva intata sua vocação medieval.
Ainda estão de pé a loja do pai de São Francisco e a casa onde morou
a família, transformada em igreja, a Chiesa Nuova. É bem verdade que
o terremoto de 1997 causou algum estrago. o esforço de reconstrução,
todavia, revelou-se pródigo.
Assis manteve até mesmo a fachada de um templo
romano pagão, o templo de minerva. é de tal beleza que nem mesmo os
cristãos intransigentes ousaram destruí-la. optaram por manter a
fachada e erguer uma igreja por detrás. Mas o templo mais
impressionante de cidade só poderia ser a basílica de são francisco.
ela começou a ser erguida em 1228, dois anos após a morte do santo,
para guardar sua cripta, como se percebe, os processos de
beatificação eram então bem mais rápidos. o próprio são francisco
talvez não apreciasse o fausto da homenagem. a basílica, afinal, nada
tem de franciscana - no sentido de economia de recursos.
Majestosa, ela acopla duas capelas superpostas,
decoradas pelos mais importantes pintores do período, o grande Giotto,
pintor amigo de Dante Alighieri . A basílica de São Francisco, em suma,
é um santuário da arte pré-renascentista.
Ou seja, precursora da era imediatamente posterior e, como tal, o lugar
perfeito para se deixar a Úmbria rumo à Toscana.
A poucos metros da basílica de São Francisco, em
Assis, uma placa chama a atenção: museo degli indios dell'amazonia.
"é o único museu de índios brasileiros na europa", o lugar tem
quatro andares mostrando o modus vivendi de diversas tribos amazônicas.
explica-se: há um século os franciscanos italianos se instalaram no
alto solimões, por isso sabem muito sobre a amazônia.
Outro trecho muito bonito, é de Perugia a Florença.
A região da Toscana, um enclave em que os banqueiros e comerciantes souberam
enriquecer, investir na autonomia das cidades-estado, o poder das famílias
abastadas da toscana - em especial, as de Florença - germinaram palacetes
riquíssimos, floresceram prédios públicos admiráveis e brotou a
grande arte italiana, assim como continuam desabrochando os campos de
girassóis, ano a ano amarelando a paisagem, a partir de junho.
Em meio a eles, você verá as vinícolas de Chianti, os bosques de ciprestes,
as graciosas vendas do queijo pecorino, as ínfimas cidades fortificadas.
A entrada certa para Toscana é Siena, ela mantém incólume
seu patrimônio medieval, mas também acolhe extraordinárias obras da renascença.
exemplo notável é a catedral, onde pontificam esculturas de
Michelangelo e Donatello.
Se a piazza del campo não é a mais linda praça
medieval de toda a europa, bem, está no páreo. a propósito, desde o
século 13, aqui é disputado o palio, corrida de eqüinos homenageada
no nome de um modelo de carro popular, por ironia com poucos cavalos de
força. o derby acontece em duas datas (uma em julho; a outra, em
agosto), sempre reunindo dez jóqueis e nenhuma sela, cada um
representando uma paróquia. Antes do prélio, os cavalos são
devidamente batizados na igreja do bairro.
Chegando a Monteriggione, a 20 quilômetros de Siena,
e deparar com um lugarejo minúsculo. Encravada em cima de uma colina,
a cidadezinha com vocação de cidadela é cercada por elevadas muralhas e
torres de defesa. Monteriggione foi disputada com selvageria por Siena e
Florença. Hoje, mais pacata, tornou-se estratégica parada antes de prosseguir
por um dos mais espetaculares trechos da viagem, a estrada para Volterra.
O mais bonito nas rodovias da Toscana surge com cores mais
fortes, os girassóis parecem maiores, do tamanho de um prato de sobremesa.
os vales, mais férteis. Por fim, desponta Volterra, no piso superior de
um planalto. Parte das muralhas anteriores à era cristã persiste nesse
centro medieval renascentista e igrejas em mármore de carrara. Volterra
abriga um impressionante museu em honra a esse povo remoto, exibindo jóias
e centenas de urnas funerárias decoradas com relevos.
Próxima parada do roteiro é San Giminignano, com dezenas
de torres no século XII. Sobraram treze, o suficiente para os folhetos
turísticos tratarem a cidade por "Nova York da idade média".
Uma delas, a torre grossa, está aberta a visitantes, 54 metros de subida e o
equivalente em fadiga, você terá à sua disposição um dos mais extasiantes
panoramas da Toscana. Eem torno da preservada cidade medieval estendem-se
um vale grandioso; ao fundo, delineiam-se as curvas da cadeia dos apeninos,
tão suaves quanto o vinho branco versaccia, outro dos orgulhos de San Gemignano.
Já que você começou a subir torres, prepare-se para a
próxima delas com 293 degraus, na cidade seguinte do roteiro, você ingressará
na segunda torre mais célebre do planeta. Ela só perde para a Eiffel, de Paris.
A torre de pisa, iniciada em 1173, a torre já estava inclinada para o
sul quando o terceiro de seus seis pisos mal havia sido concluído -
numa infeliz combinação de fundação rasa e terreno arenoso.
Quando foi inaugurada, 177 anos mais tarde, o declive
era bem acentuado. A rigor, desde o século 14, engenheiros vêm se empenhando
em resolver esse problema de 56 metros. Fechada ao público em 1990 por
segurança, a torre teve sua inclinação diminuída em 45 centímetros.
Desde 2001, voltou a receber visitantes.
Florença é especial, basta olhar o rio Arno. Em Pisa,
ele passa singelo, desprovido de graça. Quando entra em Florença, veste-se
com todo o garbo para estar à altura da cidade e merecer a ponte Vecchio,
uma jóia onde vendem-se jóias.
Até os caricaturistas de rua de Veneza são melhores. eles costumam ficar
defronte à Gallerie Degli Ufizzi, e em meio à Piazza Del Duomo, o mais esplendoroso
exemplo da transição da arquitetura medieval para a renascentista.
A torre de Pisa é fichinha em matéria de
inclinação se comparada à torre Garisenda, no centro de Bolonha.
construída no século XII, ela exibe quase 3 metros de declive. Parece
que vai desabar sobre você. por isso, a Garisenda está fechada.
Nem por decreto alguém sobe suas escadas. sorte que,
na falta de uma torre inclinada, bolonha oferece duas. pois é. ao lado
da Garisenda, ergue-se a torre Asinelli, construída na mesma época e,
também, dona de uma senhora inclinação. São mais de 2 metros de
declive. se lhe for do agrado, suba na Asinelli, desde que lhe sobre, claro,
disposição para enfrentar os 498 degraus.
Bolonha, é romântica à sua maneira, foi a pioneira em
movimentos ecológicos no país, e prestigiam a cultura, reunindo as principais
gravadoras italianas e romovendo feiras de design, de moda.
Na Airosa Piazza Maggiore, artistas internacionais se apresentam bancados
pela prefeitura.
Na região do vêneto, constituem o trecho mais romântico
da viagem, a verdadeira grande atração de verona é a arena, o terceiro maior
anfiteatro da itália - só perde para o de Roma (o coliseu) e o de Nápoles.
Eerguido no século 1, contempla os visitantes com uma acústica incomparável.